Pan Órama
Pan Órama é uma proposta de teatro de imagem construído a partir de uma história de amor. É um desfile de memórias, pequeninas partículas de uma história que se vai revelando entre as palavras, a música e o movimento dos intérpretes e dos objetos.
Um panorama, um poema visual criado para olhar e guardar.
Isabel Barros
dedico a João Paulo Seara Cardoso
Ficha técnica
direcção e coreografia: Isabel Barros
texto: Regina Guimarães
música: Carlos Guedes
intérpretes: Joana Castro, Nelson Luís
figurinos: Helena Medeiros
desenho de luz: Alexandre Vieira
produção: balleteatro
co-produção: balleteatro e Cine Teatro Constantino Nery | Câmara Municipal de
Matosinhos
classificação: m/3
género: dança / teatro
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PAN ÓRAMA debruça-se na construção de uma história de amor – história esta, que na sua simplicidade carrega o peso da existência, no hoje e no aqui.
Dois corpos, independentemente do género, começam por balançar objectos redondos – o mundo. Um mundo que se dilui, que se abre em pequenas narrativas desconstruídas e processadas pela vontade de ir mais longe, a um lugar que Isabel Barros tem vindo a trabalhar, o sonho. Este lugar que potência o surreal, o onírico, e muito o Poema.
A partir de um texto de Regina Guimarães, vão se desvendando percursos, quer sejam eles estranhos e distantes ou mais próximos de nós, e é nesta proximidade que nos revemos. O amor, é sem dúvida o ponto de partida mas nem sempre o da chegada – por vezes aqueles corpos levam-nos ao fim, ao da despedida por exemplo, ou ao da proximidade, aprendemos a tocar no outro sem o magoar, mas por vezes dói – faz doer, porque faz parte – o que seria do amor sem a dor? e claro, o que seria da arte sem a dor?
O palco é um lugar seguro para a criação de novos lugares, quando me refiro a novos, refiro-me a “outos”. Pan órama é um exemplo: no curto espaço de tempo que se realiza o momento performático, aqueles corpos habitam a passagem do tempo e como consequência a dos lugares- Lá, onde habitam outros corpos e outras coisas (coisas que reconhecemos mas que nem sempre nos lembramos da sua veracidade). Nós e os outros, que também se amam, e que também chegam a um fim.
Pan órama acaba, porque tudo tem que acabar, tal como o amor, que quando chega ao final da linha, pára – noto que parar não significa desaparecer.
Naquela história(s), fica a farinha depois do pão.
Flávio Rodrigues, 2011