Agora
Isabel Barros apresenta uma performance para a qual convoca dois grandes amigos e cúmplices de vida artística: Regina Guimarães, a quem pediu que escrevesse um texto original, e Vítor Rua, que convidou a improvisar e a acompanhar musicalmente a performance na galeria da Cooperativa Árvore.
Interessava-lhe falar da paisagem onde habita, a paisagem de si. O texto fala-nos de um mar de dentro. Na improvisação, com Vítor Rua, Isabel Barros deu voz à escuta dessa estranha fronteira, incorporando o texto talhado especificamente para um momento único e irrepetível: “Agora”. A música suspende cinematograficamente uma paisagem de pensamentos que se procuram e se confrontam, dentro de uma sala friamente marcada por uma parede branca, que Isabel percorre devagar e linearmente, de uma extremidade à outra da galeria. À medida que percorre o espaço vazio, vai soltando as páginas do texto para no fim saltar em voo livre: o movimento da dança acaba por acontecer, passando a ser exclusivamente habitado pelo espaço da música. Em conjunto, Isabel Barros e Vítor Rua são transportados numa espécie de tapete voador, que começou por ser um objecto distante, para passar a ser espaço da experiência e acabar por se transformar em disforme porto de abrigo, onde se sonha.
A performance, composta por dança, música e literatura, traduziu-se numa fuga ao espaço onde afinal nos escondemos. Apresentada com uma grande carga biográfica, sustentou-se numa grande cumplicidade entre arte e vida.
Paula Pinto
Ficha técnica
direção, coreografia e performance: Isabel Barros
compositor: Vítor Rua
texto original: Regina Guimarães
Agora, performance inserida no Ciclo Olhar a Eternidade, curadoria: Albuquerque Mendes