Là Où Je Dors
Lá onde durmo prendo-me e prendo o mundo. Lá esta a minha pessoa, impedida de errar, não mais instável, dividida e desatenta, mas concentrada na estreiteza desse lugar onde o mundo se acolhe, que eu confirmo e que me confirma, lugar onde ele está presente em mim e eu ausente nele, numa união extasiada.
Maurice Blanchot in “L’Espace Littéraire”
Para Isabel Barros, a matéria de Là où je dors (Lá onde durmo) são os sonhos e foi no texto de Maurice Blanchot “L’ Espace Littéraire”, sobretudo no terceiro capítulo o sono, a noite, onde encontrou nas palavras fortes sugestões.
O sono transforma a noite em possibilidade, em possibilidade de sonho. E é o sonho, como um chamamento irresistível, misterioso e perigoso, que a coreógrafa escolhe para criar o espaço das imagens inconscientes; o espaço das personagens de um teatro interior e íntimo, alusivo, repetitivo, persistente e sem fim… . O sonho que nos transforma no outro, noutro… que é semelhante a outro e a outro… Diz Blanchot: Procuramos o modelo originário, queríamos ser reenviados a um ponto de partida, a uma revelação inicial, mas que não há: o sonho é o semelhante reenviado eternamente ao semelhante.
Ficha técnica
direcção, coreografia e espaço cénico: Isabel Barros
música original e imagem: Pedro Tudela
desenho de luz: Jorge Costa Figurinos: Helena Medeiros
intérpretes: Elisabete Magalhães, João Costa, Luís Monteiro, Pedro Pires Pinto, Raul Maia, Sónia Cunha, Vera Santos, Victor Hugo Pontes
estreia: Rivoli Teatro Municipal
co-produção: balleteatro e Culturporto/Rivoli Teatro Municipal
circulações: Teatro Municipal do Porto – Rivoli (2002)