Os vestidos que eu lhes emprestei já não são meus
Um homem de vestido branco, como num altar, calça os sapatos que uma mulher lhe lançou e que agora vai despindo camadas de vestidos. Assim, se dá início a uma dança infernal onde se abraça, se esfregam no corpo cabeças dos outros, se rasgam vestidos, se vestem e se despem, onde rolam manequins e um sofá, onde os pares são instantâneos, colam-se às paredes, exibem os corpos, são exibicionistas (mostram o sexo), mulheres que perseguem, insinuam e contorcem; a um ritmo quase sempre sôfrego. pele portátil, que ilustra e que esconde… Uma das ações recorrentes em alguns trabalhos de Isabel Barros é o vestir e o despir que no seu jogo transforma as vestes numa espécie de pele portátil que ilustra e esconde. Para além disto, a coreógrafa ao jogar com a desconstrução (não oposição) de funcionalidade e não-funcionalidade das próprias vestes, cria uma dinâmica instável de perda e ganho de sentido do próprio ato (vestir/despir).
Ficha técnica
direcção e coreografia: Isabel Barros
música: George Lettelier
cenário e figurinos: Albuquerque Mendes
desenho de luz: Jorge Levi
intérpretes: Alberto Magno, Elisabete Magalhães, Índio Queiróz, Jefferson Nunes, Joclécio Azevedo, Né Barros, Susana Queiróz, Vera Santos
música ao vivo: Abel Pereira, Ana Maria Ribeiro, André Tarabbia, António Moura, António Ribeiro, George Lettelier, Jorge Madureira, Luís Filipe Carvalho, Mário Santos, Paulo Jorge Martins
produção: balleteatro
estreia: Rivoli Teatro Municipal no âmbito das Jornadas de Arte Contemporânea