Eléctrica
Em cena um triângulo vai sendo definido por: Homem-Mulher de costas/ Mulher-Homem em acção/ Vestido de noiva pendurado. O Homem veste um vestido de mulher semi-aberto nas costas, a mulher inicia em lingerie e termina com uma casaca e luvas de boxe, passando entretanto pelo vestido de noiva, e na outra ponta do triângulo, paralelo ao Homem, está um vestido de noiva suspenso. Cria-se deste modo, uma trama paralela de motivações: a ambivalência de papéis na sexualidade e o peso da própria memória. O peso da memória é-nos sugerido quer por uma projecção vídeo da mulher nos seus movimentos no vestido suspenso, quer pelas roupas que os intérpretes usam – as roupas não são uma qualquer pele, são objectos de luta (boxe) ou classificados (casamento). Em Eléctrica, é como se nos fosse fornecida uma harmonia de circunstância, ou fatalidade, que vai lançando sinais de algo mais visceral. A mulher realiza sequências simples e geométricas em contraste com o som do seu respirar. Uma mulher numa acção sem-sentido em contraste com uma figura masculina-feminina que vai sonorizando estados: canta, sussurra, grita, estiliza – sempre de costas.
Né Barros
Ficha técnica
direcção e coreografia: Isabel Barros
dramaturgia: Regina Guimarães e Isabel Barros
direcção de figurinos: Isabel Barros
desenho de lingerie: Isabel Coelho
cenografia e desenho de luz: António Real
intérpretes: Sónia Cunha
actuação ao vivo: Miguel Teixeira
produção: balleteatro
estreia: balleteatro auditório