Hamlet Machine
A Máquina Hamlet [de Heiner Muller] é um mecanismo que começa por olhar para a história servindo-se de óculos alheios, para lançar sobre a nossa época um olhar pessoal e crítico, utilizando uma estratégia essencialmente regressiva. Hamlet olha para o mar e é a possibilidade de diálogo e a própria linguagem que anunciam a sua regressão; Hamlet regride desde o plano de acção política, passando pela perda da identidade, até um estado próximo da dissolução física: ‘Retiro-me para as minhas entranhas’. O mesmo parece acontecer a Ofélia. Ela, cujo coração viu as lágrimas de Hamlet, não mais poderá ser o pólo que falta a uma união impossível. Através de Ofélia é a matriz da nossa identidade que é destruída: “Destruo o campo de batalha que foi o meu lar”.
João Carneiro
Ficha técnica
encenação e criação: João Paulo Seara Cardoso e Isabel Barros
tradução: Anabela Mendes
música original: Roberto Neulichedl
cenografia: João Paulo Seara Cardoso
marionetas: Elisa Queiróz
figurinos: Albuquerque Mendes
desenho de luz: António Real
intérpretes: Igor Gandra, Isabel Barros, João Paulo Seara Cardoso (Hamlet), Né Barros (Ofélia), Rui Oliveira, Sónia Cunha, Vera Santos
estreia: Culturgest
co-produção balleteatro, Teatro de Marionetas do Porto e Culturgest
circulações: Grande Auditório Culturgest (1997)