Armazém 88
2023
Maiakovski — O Regresso do Futuro
2021
O cheiro dos velhos
2020
Ovo
2012
Frágil
2011
Make love not war
2010
Wonderland
2009
Cinderela
2009
Boca de cena
2007
O lobo Diogo e o mosquito Valentim
2006
Como um carrossel à volta do sol
2006
Cabaret Molotov
2006
O Mundo de Alex
2004
Paisagem azul com automóveis
2001
Macbeth
2001
Óscar
1999
IP5
1996
Joanica-Puff
1995

Óscar

1999
© Susana Neves

Óscar é um menino.

Óscar tem um jardim, o seu lugar de brincadeira preferido. No jardim constrói os seus mundos imaginários. Relaciona-se com os animais, as plantas e o Jardineiro Joaquim.

Os amigos do Óscar são: o Porco Cambalhota que um dia cambalhotou até à lua, o Ouriço Ribeiro e a sua fábrica de compota de maçã, a Vaca Radical que bebe a água da chuva, a Laranjeira que só dá laranjas amanhã, o Capitão Iglo que, um dia, encalhou numa poça de água do jardim, as Flores que mudam sempre de lugar, o Gigante que tem um carrocel dentro da cabeça, a Galinha Chocapic que choca um ovo que não é novo e todos os bichos, bicharocos e plantas de jardim.

O espetáculo estrutura-se ao longo das quatro estações. O jardim vai-se vestindo de diversas roupagens. As histórias, a música, as cores, as palavras, os cheiros vão tomando a forma das sensações que caracterizam o jardim durante as diferentes fases do ano.

Chega o inverno. Óscar vê o jardim da janela de sua casa. Quando não chove, brinca com as poças de água. O inverno chega ao fim. A vida renasce de novo no jardim, as luzes de cena apagam…

Óscar é um espetáculo especialmente concebido para crianças a partir dos três anos de idade.

Ficha técnica

encenação e cenografia: João Paulo Seara Cardoso
marionetas e figurinos: Júlio Vanzeler
música: Roberto Neulichedl
texto: João Paulo Seara Cardoso, com a colaboração de Sofia Aguiar Reis e Regina Guimarães (canções)
movimento: Isabel Barros
desenho de luz: António Real
produção: Mário Moutinho
interpretação: Marta Nunes, Rui Oliveira e Sérgio Rolo
pintura de marionetas e adereços: Emília Sousa
operação de luz e som: David Sobral
assistente de produção: Paula Anabela Silva
secretária de produção: Sofia Carvalho
direção de montagem: Igor Gandra
técnicos de construção: Cláudia Armanda, Vítor Silva
confeção de figurinos: Branca Elíseo
construção de cenografia: Américo Castanheira
fotografia de cena: Susana Neves
design gráfico: Júlio Vanzeler

Galeria

Vídeo

Imprensa

O Óscar tem um jardim

Histórias inimagináveis cheias de magia e poesia.

O Óscar é um menino e tem um jardim. À passagem das quatro estações do ano, este menino, que adora brincar e que tem como amigos não só os humanos, como o jardineiro Joaquim, mas também os animais e as plantas, vai-nos oferecendo o seu mundo. Neste jardim tudo pode acontecer, depende sempre da imaginação desta criança que partilha as histórias com as outras crianças, mas também com os adultos. “Óscar” é uma peça escrita para marionetas, embora tenha já sido representado em forma de teatro infantil. O texto e a encenação são de João Seara Cardoso e o Teatro de Marionetas do Porto apresentou-a, pela primeira vez em 1999, tendo vindo a ser reposta em vários locais. 9 anos depois é apresentada no Centro Cultural de Belém, de 12 a 14 de dezembro.

“O ÓSCAR tem um jardim, e o jardim era assim (…)”, desta forma começa a história do Óscar e do seu jardim, o seu lugar de brincadeira preferido. Ali constrói mundos imaginários, onde se relaciona com animais e plantas, além do seu fiel amigo, o jardineiro Joaquim, que teima em enganar, escondendo-se atrás das árvores.

Eles são apenas três, os manipuladores das marionetas, essas que são senhoras e tomam conta do palco – Edgard Fernandes, Sérgio Rolo e Sara Henriques, mas contam uma história repleta de personagens aliciantes. Para ajudar existe um cenário de onde surge poesia que passa para o espaço. Uma espécie de “mesa-telhado-inclinado” por cujos postigos surgem e desaparecem as histórias. Além de toda a poesia envolvente, desenham-se linhas no texto de uma destreza que permite o desenvolvimento contínuo desta fábula.

Neste jardim é possível ver o Ouriço Ribeiro que anda a colher maçãs para a sua fábrica de compota de maçã, o porco Cambalhota que tanto “cambalhotou” que um dia foi parar à lua, de onde pede ajuda ao Óscar para voltar ao jadim. Além disso ainda há uma vaca radical que bebe as poças do jardim todas até ficar cheia de vontade de ir à casa de banho. Nesta altura já passámos pelas estações todas, porque a última é o inverno e a vaca já anda a beber a água da chuva, mas no entretanto tomamos contacto com uma laranjeira que só dá laranjas amanhã, um capitão Iglo que encalhou numa poça de água do jardim (Porquê? Porque a vaca bebeu as poças todas), as flores que andam sempre a mudar de lugar e a baralhar o pobre Joaquim, o Gigante que tem um outro mundo imaginário onde há um carrossel e tudo gira dentro da sua cabeça. O gigante come o Óscar dentro de uma baguete gigante, prometendo uma viagem que só poderia ser aliciante para uma criança, já que não faltarão doces e outras coisas mais. Mas ele volta ao palco. Há ainda a galinha Chocapic que choca um ovo que não é novo e vai-se a ver e é a bola de futebol do Óscar, e ainda por cima a galinha está a chocar o ovo mesmo em frente à porta de casa da lagarta, que está sempre a perguntar: “Já nasceu?”.

No mínimo este espetáculo tem um texto cheio de coisas engraçadas de tão inacreditáveis, mas que são mágicas por isso mesmo. “E agora já nasceu?”. O espetáculo vai-se desenrolando com estas histórias dentro da história, estruturado pela passagem das quatro estações, possibilitando também a aprendizagem, já que o jardim se vai vestindo de diversas roupagens. As histórias, a música, as cores, as palavras e os cheiros vão tomando a forma das sensações que caracterizam o jardim durante as diferentes fases do ano.

Mas mais do que um espetáculo didático, esta é uma peça que explora sensações e que possibilita uma viagem extraordinária. Esta é uma viagem ao interior de um rapaz porque nos deixa entrar nas suas aventuras, que são criadas a partir de elementos da sua imaginação.

Divertimento puro. A mesma laranjeira de que falávamos há pouco anda a pentear uma laranja. Existem mesmo coisas inacreditáveis: verbos novos como lagartar ou cambalhotar, ideias sem nexo, mas que afinal fazem sentido e rimas sem fartar.

No fim chega o inverno. O Óscar já não pode brincar no jardim, mas continua a interagir com os seus elementos, a partir da janela da sua casa. Quando para de chover, lá vai ele chapinhar nas poças de água. O inverno chega ao fim… e depois? Especialmente concebido para crianças a partir dos três anos de idade, “Óscar” é uma obra capaz de sensibilizar os adultos que acreditam que a vida também passa pela fantasia.

Quem dera às crianças de Lisboa e outras tantas poder brincar como antes, nas poças da chuva e nos jardins, criar estes mundos imaginários com os amigos de fantasia que agora vemos cada vez mais apagados. Quem dera a elas e quem dera a nós. A cidade era tão mais bonita quando as crianças corriam pelo bairro da Graça.

Ana Maria Duarte
In Semanário, 5 de dezembro de 2008

 

No jardim do Óscar

Depois do sucesso de Aprendiz de Feiticeiro, o Teatro de Marionetas do Porto prepara mais uma boa surpresa, para adultos e crianças. Com estreia marcada para dia 11, Óscar sobe ao palco para nos dar a conhecer o seu mundo.

A mais recente produção do Teatro de Belomonte desenvolve-se no jardim do pequeno herói, que inventa o seu mundo imaginário e cria laços de amizade com os animais, plantas e o Jardineiro Joaquim. Porco Cambalhota, Vaca Radical, Capitão Iglo e a Galinha Chocapic são os amigos de Óscar que vamos conhecer de perto. Com um leque tão diverso de companheiros, aventura não vai faltar nesta história. O espetáculo decorre ao longo das quatro estações, durante as quais o jardim se vai vestindo de diversas roupagens. As histórias, a música, as cores, as palavras, os cheiros vão tomando a forma de sensações que caracterizam o espaço verde durante as diferentes fases do ano.

Susana Oliveira
in “Visão”, 9 dezembro 1999

 

Teatro de Marionetas dá vida a Óscar

Óscar retrata a vivência de um rapaz que constrói mundos imaginários a partir do seu jardim, no qual se relaciona com os animais, as plantas e um jardineiro de nome Joaquim.

Acompanhado pelos seus fiéis amigos, o protagonista vai encetar uma série de aventuras que irão conduzi-lo a uma viagem interior sem precedentes.

As quatro estações do ano são o mote de toda a peça.

O jardim – epicentro da ação – veste-se de diversas roupagens que procuram transmitir as sensações que caracterizam o jardim durante as diferentes fases do ano. Mas também as histórias, a música, as cores, as palavras e os próprios cheiros refletem a mudança do calendário.

in “Jornal de Notícias”, 12 dezembro 1999

 

Óscar no inverno

A nova produção do Teatro de Marionetas do Porto é um exemplo acabado do divertimento puro (não andamos longe das Aventuras de Alice no País das Maravilhas). Casas que falam e outras com remela na janela; uma laranjeira a pentear uma laranja; e, para a construção ser perfeita, um herói chamado Óscar, que é ensanduichado e comido por um gigante, dentro de uma baguete descomunal.

Rimas a rodos, verbos inventados como cambalhotar e lagartar, jogos de palavras e todas as associações de ideias sem nexo como, por exemplo, um capitão Iglo a encalhar numa poça, ou um porco na jaula dos leões a chocar um ovo – não se pode contar com ele no cu da galinha – são algumas das invenções saídas, em fartas doses, da fábrica de João Paulo Seara Cardoso, Sofia Aguiar Reis, Regina Guimarães e Cª Limitada. Com esta maquinaria bem oleada, tudo desliza com a destreza habitual, para alegrar o inverno da petizada.

Manuel João Gomes
in “Público”, 17 dezembro 1999

 

Marionetas no jardim encantado

Concebido por uma companhia que nos habituou a excelentes espetáculos de teatro, em que as marionetas são senhoras do palco “Óscar” só poderia ter o caminho de qualidade.

Depois do sucesso que foi “O Aprendiz de Feiticeiro”, a companhia do Teatro de Belomonte conta-nos as brincadeiras de um menino através das diferentes estações do ano.

É no seu jardim que Óscar constrói os seus mundos imaginários, povoados de curiosas personagens.

Aqui, os animais e plantas também falam, como é o caso do porco Cambalhota (“que um dia cambalhotou até à lua”), do ouriço Ribeiro “e a sua fábrica de compota de maçã”; da Vaca Radical, “que bebe água da chuva”; ou do Capitão Iglo, “que um dia encalhou numa poça de água do jardim”. Entre peripécias encontramos ainda as flores “que mudam sempre de lugar” ou o Gigante “que tem um carrocel dentro da cabeça”.

Neste espetáculo, estruturado ao longo das quatro estações, o jardim mágico veste roupagens das diferentes fases do ano, numa encenação que marca o tempo não só pelas palavras e cores, mas também pela música e os cheiros.

Especialmente concebido para crianças a partir dos três anos de idade, “Óscar” é uma obra capaz de sensibilizar os adultos que acreditam que a vida também passa pela fantasia. Se esta poesia não lhe toca, veja o espetáculo pelo seu rigor técnico e excelente interpretação.

A história, depois, há de mostrar-lhe que vale a pena sonhar.

in “Comércio do Porto”, 23 dezembro 1999

 

Espectáculo com “duende”

A companhia de João Paulo Seara Cardoso, Teatro de Marionetas do Porto, acaba de estrear mais um espetáculo de referência para o público a partir dos 3 anos. Com três atores-manipuladores – Rui Oliveira, Sérgio Rolo e a estreante Marta Nunes – e um aparato cénico de onde salta, literalmente, poesia para o espaço, o espetáculo multimédia Óscar – escrito com imaginação por João Paulo Seara Cardoso, Sofia Aguiar Reis e Regina Guimarães (autora dos poemas cantados) e notavelmente desenhado por Seara Cardoso, Júlio Vanzeler (marionetas) e António Real (luz) – oferece, por meio da técnica de manipulação de marionetas de mesa, a história de um menino que, graças à companhia de um Jardineiro Mágico e de uma imaginação delirante, transforma os habitantes do seu jardim em personagens que podiam ter sido retiradas dos livros de Carrol com a ajuda de um humor cujos alvos (“o Centro Comercial da Lúcia”, por exemplo) os residentes do Porto reconhecerão melhor do que nós.

A espantosa estrutura cenográfica – uma espécie de mesa-telhado-inclinado por cujos postigos surgem e desaparecem duendes-narradores, cenários, animais ocupados nas suas tarefas domésticas ou empresariais (como a deliciosa lagarta-dona-de-casa, a tonta da galinha Chocapic, o Porco Cambalhota, a Vaca Radical, o Ouriço Ribeiro, o Capitão Iglo com o barco encalhado na cabeça, os Raios de Sol até o Monte Gigante com a cabeça de gigantone) – segundo as regras básicas do “teatro narrado” ou “épico” (acima de tudo centrado no gesto do manipulador como nem Walter Benjamin imaginou), permite, sobre um eloquente fundo musical (Roberto Neulichedl), o aparecimento e desaparecimento, “à vista”, do cenário de cada sequência das projeções metonímicas de nuvens e espaços siderais e até um carrocel, marcando as passagens do tempo e das estações, onde se alinham todas as figuras em miniatura.

Mas, além da poesia que envolve todo o espetáculo, a observação das linhas com que o texto se urde é um motivo adicional de delícias para o espectador adulto.

Toda a fábula ecológica, que o espetáculo deseja transmitir ao seu pequeno ou grande espectador vem envolta em duas referências literárias fundamentais: a peça Amores de Perlimplim com Belissa em Seu Jardim, de Lorca, e O Principezinho, de Saint-Exupéry.

É certo que as marcas de produtos que os infantes consomem também por lá deixam a sua marca material; contudo, a apologia das flores e das cenouras, que os narradores-manipuladores ostentam como apêndice nasal – “Sou, não sou. Sou, não sou. Plim. Atchim. Pode ser que não, pode ser que sim!” -, vem direta da “aleluia” lorquiana. O espetáculo tem “duende”.

Eugénia Vasquez
in “Expresso”, 14 dezembro 1999

 

O regresso de “Óscar”

Tal como estava previsto, o Teatro de Marionetas do Porto repõe hoje, no Teatro de Belomonte, a peça “Óscar”, especialmente dedicada ao público infantil, mas recomendável a espectadores de todas as idades.

Depois de uma temporada feita de lotações esgotadas, no mês passado, o menino do jardim dos sonhos volta ao palco numa história mágica que atravessa as diferentes estações do ano.

“Óscar” é uma obra capaz de sensibilizar todos os adultos que acreditam que a vida também passa pela fantasia, assinada por uma companhia portuense que marca o seu trabalho por uma extrema qualidade, algo já reconhecida a nível internacional.

in “Comércio do Porto”, 15 janeiro 2000

 

Maravilha esta, reencontar o Teatro de Marionetas do Porto, desta vez com um espetáculo para crianças, o Óscar, de João Paulo Seara Cardoso, colaboração de Sofia Aguiar Reis e Regina Guimarães.

Ao mesmo tempo, extremamente simples e de uma grandeza de imaginação e de humor, de encantamento, o novo espetáculo do Teatro de Marionetas consegue o prodígio de prender os miúdos e de pôr os crescidos a vibrar. O Óscar e os seus animais inventados, as plantas, a passagem do tempo, a amizade com que Óscar conquista os outros, há uma magia neste espetáculo que nos levaria a repeti-lo sem cessar.

Não esqueçamos para entender este êxito a participação dos atores e manipuladores Marta Nunes, Rui Oliveira e Sérgio Rolo.

Carlos Porto
in “Jornal de Letras”, 27 janeiro 2000