Como um carrossel à volta do sol
De manhã o sol nasce, a cidade acorda, as pessoas caminham nas ruas, os automóveis passam. A senhora da casa azul abre a janela, o gato da senhora salta para o parapeito da janela e mia. A senhora sorri e canta uma canção da manhã. Os dias são todos diferentes. As pessoas também. E as árvores e as casas e os planetas e os automóveis.
A vaca azul comeu uma nuvem, as meninas da chuva escorregam no ar, na Árvore dos Ninhos os passarinhos chegam na primavera e partem no verão. E há uma Camioneta que Rouba Paisagens e um Resolvedor de Problemas e a Miga, que é parecida com os telhados das casas. E há baleias às riscas e planetas com janelas. E há um pai e uma mãe.
E muitas perguntas:
– As vacas voam?
– As árvores têm pernas?
– As casas falam?
– Como se vai ao céu?
– Os automóveis ficam cansados?
– Um pesadelo é uma coisa que mete medo?
– O que é que é tudo?
Como um Carrossel à Volta do Sol é um espetáculo concebido para crianças a partir dos três anos. Conta a história de um menino que vai crescendo, a sua relação com as coisas do mundo, as suas dúvidas, os seus sonhos, as suas inquietações, as suas histórias imaginadas.
Ficha técnica
encenação, texto e cenografia: João Paulo Seara Cardoso
marionetas e figurinos: António P. Onofre
música: Alain Russel
desenho de luz: Antonio Real e Rui Pedro Rodrigues
produção: Sofia Carvalho
interpretação: Edgard Fernandes, Sara Henriques, Sérgio Rolo
voz de criança: Mafalda de Barros
operação de som e luz: Rui Pedro Rodrigues
pintura de marionetas e adereços: Sofia Pereira
assistente de produção: Pedro Miguel Castro
sonoplastia: Miguel Reis
coordenação de movimento: Isabel Barros
construção de cenografia: Américo Castanheira, Tudo Faço
técnicos de construção de cenografia: João Fernandes, Pedro Pereira, Victor Silva
confeção de figurinos: Cláudia Ribeiro (coordenação), La Sallete Oliveira (costureira)
design gráfico: No More. Design
estagiária: Neusa Fangueiro
fotografia de cena: Manuel Ramalho
Galeria
Vídeo
Imprensa
No carrossel do crescimento
A brincadeira que ensina a resolver problemas
«O que é que é a vida? É… andar sempre à volta do Sol», diz aos miúdos o livro infantil «Como um Carrossel à volta do Sol», fazendo-nos a nós, adultos, refletir na caminhada em direção à felicidade, que tornamos tão complicada. Como um carrossel: assim é a existência humana; ora vertiginosa ora plácida; com subidas e descidas; com alegria e mágoa; com esperança e medo; prenhe de problemas ora simples ora irresolúveis.
Mas neste precioso livro, aprende-se a fazer «Buuu!» aos pesadelos e os obstáculos resolvem-se no Resolvedor de Problemas: quando eles são enormes, a solução está em «dividir o problema grande numa série de problemas pequeninos e resolvê-los um a um». Escrito por João Paulo Seara Cardoso e genialmente ilustrado por Renato Seixas, este novíssimo título da coleção O Sol e a Lua da Campo das Letras aposta, assim, na robustez psíquica de cada pequeno aprendiz da vida para que mais tarde possa dar forma aos seus sonhos: o sonho «é um jardim secreto» porque só o sonhador «sabe que ele existe». Peça de teatro escrita para o Teatro de Marionetas do Porto e representada pela primeira vez no dia 11 de fevereiro de 2006, no Balleteatro Auditório, o texto que agora se edita surge no papel com originalidade imbatível. Para isso concorre o grafismo das páginas, num apelo visual festivo, com o texto a surgir como se estivesse disposto numa janela de conversação da Internet.
Paralelamente à narrativa textual, irrompe enérgica e dinâmica a narrativa pictórica das ilustrações de Renato Seixas: sol, árvores, pássaros com grandes olhos, gotinhas de água e flores dão o envolvimento ecológico e o abraço cúmplice da Natureza a quem cresce com todas as dúvidas da caminhada: o sol anda? a árvore tem asas? como é que se sabe que vai chover? e vai chover o quê? o que é um problema? o que é o sonho? pode-se aprender tudo?
Mostrando que não se pode aprender tudo pois a vida é uma eterna aprendizagem, o texto, de resposta em resposta vai dizendo que a árvore não tem asas e por isso não voa; mas se os muitos passarinhos que pousam nela «começarem todos a bater as asas para aprenderem a voar», a árvore voará «para muito longe lá no céu até pousar na Lua.» É por isso, diz o texto incentivando o voo imaginativo das crianças, que «ainda hoje, se tu olhares para o céu em noites de Lua cheia, poderás ver lá uma pequenina árvore», a árvore dos passarinhos, chamemos-lhe nós, a árvore dos sonhos que se mantêm, mesmo que pareça longe.
Também as flores deste livro sorriem e piscam o olho incentivando ao crescimento. São flores que recebem «miminhos» sem descanso do seu jardineiro, pois sem esse zelo afetuoso as flores choram e «uma flor a chorar» dá «cabo do coração». Porém, o jardineiro não se esquece do ensinamento total: «mimiminhos ou tabefes. Se desse só miminhos, elas tornavam-se insuportáveis!».
Quanto aos pesadelos, explica-se que eles são «uma coisa má» que vêm quando dormimos, que às vezes vêm pela janela, «mas também vêm pela porta», outras vezes vêm sem estarmos a dormir…Há que aprender a inverter os papéis, há que assustar os pesadelos, pois nenhum pesadelo resiste ao «Buuu!» intrépido da criança vencedora.
Em relação aos problemas, quase todos são resolúveis, explica-se, «embora haja alguns que são verdadeiramente problemáticos. Por exemplo, um problema bicudo…é muito difícil de resolver. É um problema. Mas se for arredondado, resolve-se na boa. Depois, há os problemas insignificantes…que se resolvem num instante.» Mas há, também, «aqueles problemas enormes». A solução está em «dividir o problema grande numa série de problemas pequeninos e resolve-los um a um.».
Posto isto, resta aos miúdos ligar o «conta-quilómetros», e ao ritmo do «patati patatá piripi pão pão» desta prenda em livro, seguir a sua jornada. Ideal para atividades também nas escolas, este título promete momentos ímpares de alegria e aprendizagem.
Teresa Sá Couto
in “Kaminhos Magazine”, 12 de março de 2008
Um menino sempre a crescer
Mais uma vez – e dentro da sua filosofia aberta -, o Teatro de Marionetas do Porto apresenta uma peça destinada a “maiores de três anos”… A grande versatilidade da companhia dirigida por João Paulo Seara Cardoso presta-se agora a mostrar aos muito novinhos um pouco da diversidade da existência e do nosso crescimento dentro e com ela. “Como um Carrossel à Volta do Sol” mostra o espanto de um menino perante as coisas que o rodeiam – e que parecem mudar conforme ele vai mudando. E então surgem as suas dúvidas e inquietações (coisa que qualquer pai sabe existir no íntimo dos seus filhos), mas também os sonhos e as fantásticas “produções” de que a mente de uma criança é capaz. Os protagonistas são a cidade e os seus habitantes, os automóveis, uma casa azul, uma senhora que canta e o seu gato…, bem como uma vaca azul que comeu uma nuvem, as meninas da chuva que escorregam no ar, um resolvedor de problemas, baleias às riscas e até planetas com janelas! E é neste “mundo de Alice” que, afinal, vivem as crianças.
António Eça de Queiroz
in “Expresso”, 18 de fevereiro de 2006
Teatro de Marionetas do Porto encena “Como um Carrossel à volta do Sol”
Um espetáculo a pensar e para as crianças
“Como um Carrossel à Volta do Sol” é uma criação do encenador João Paulo Seara Cardoso para o Teatro de Marionetas do Porto, concebida para crianças a partir dos 3 anos de idade. Num mundo de fantasia, a criança vive com uma voraz curiosidade sobre tudo o que lhe rodeia. À medida que a criança vai crescendo, aproxima-se do mundo, das suas inquietações, dos seus sonhos e dúvidas e histórias imaginadas. (…)
Um espetáculo a não perder!
in “O Primeiro de Janeiro”, 20 de fevereiro de 2006