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O lobo Diogo e o mosquito Valentim

2006
© Ana Pereira/Casa da Música

Um lobo auto proclama-se rei da floresta e diverte-se à custa do mal que causa aos outros animais. Estes revoltam-se contra a prepotência do lobo e tentam vencê-lo. No final, como os homens (e os bichos) não se medem aos palmos, será o pequeno mosquito Valentim a devolver a paz à floresta e aos seus habitantes.

É esta fábula, de certo cariz político, que constitui o ponto de partida da cantata musical profana do compositor Eurico Carrapatoso.

A encenação desta obra, realizada pelo Teatro de Marionetas do Porto, coloca em cena a Orquestra Nacional do Porto, o grupo coral infantojuvenil da Casa da Música, expressamente constituído para o efeito, dois solistas, uma narradora e quatro atores/marionetistas.

Deste modo, os diversos intervenientes vão contando e cantando uma história, num enquadramento cenográfico especialmente concebido para o palco da Casa da Música, como se de um livro se tratasse, à medida que são exibidas em grandes telas, ilustrações que documentam os diferentes espaços, episódios e ambientes da narrativa.

Ficha técnica

Coro infantojuvenil da Casa da Música
direção coral: Maestro José Luís Borges Coelho
preparação coral: Rui Taveira
correpetição: Jaime Mota

Orquestra Nacional do Porto
direção: Marc Tardue
soprano: Angélica Neto
barítono: José Corvelo
narração: Paula Abrunhosa

Teatro de Marionetas do Porto
encenação e cenografia: João Paulo Seara Cardoso
marionetas e ilustrações: Júlio Vanzeler
figurinos: Dino Alves
movimento: Isabel Barros
desenho de luz: Daniel Worm D’Assumpção
pintura de marionetas: Emília Sousa
produção: Sofia Carvalho
interpretação: Edgard Fernandes, Rui Oliveira, Sara Henriques, Sérgio Rolo
assistente de encenação: Pedro Ribeiro
assistente de produção: Pedro Miguel Castro
operação de luz: Rui Pedro Rodrigues
operação de vídeo: Filipe Martins
construção de marionetas: João Fernandes, Rui Eduardo Freitas, Sofia Pereira, Vítor Silva
construção de estruturas cenográficas: Américo Castanheira, Tudo Faço
confeção de figurinos: Cláudia Ribeiro, Maria La Sallete Santos Oliveira
fotografias: Ana Pereira/Casa da Música

Galeria

Imprensa

Ópera com marionetas na Casa da Música

Um coro infantojuvenil junta-se à Orquestra Nacional do Porto para O Lobo Diogo e o Mosquito Valentim

O Teatro de Marionetas do Porto apresenta hoje às 21h, na Casa da Música, a primeira versão encenada da cantata O Lobo Diogo e o Mosquito Valentim, de Eurico Carrapatoso. O espetáculo junta um grupo coral infantojuvenil à Orquestra Nacional do Porto e aos solistas Angélica Neto e José Corvelo. A direção musical está a cargo de Marc Tardue e João Paulo Seara Cardoso tem a direção técnica do espetáculo que será registado em vídeo para ser depois editado em DVD. Para o encenador João Paulo Seara Cardoso, este foi um desafio fantástico pois trata-se de uma obra apaixonante, cuja narrativa tem uma composição musical muito bem feita. Segundo Seara Cardoso, as principais dificuldades na adaptação da cantata de Eurico Carrapatoso foram duas. A primeira foi organizar o espaço cénico, que inclui cenários, as marionetas, uma orquestra e um coro, tendo em conta as características do palco da Casa da Música. A segunda foi descobrir como abordar uma ópera com marionetas, sabendo que não são elas que cantam. A solução encontrada foi pôr os solistas e o coro a cantar e as marionetas a interpretar o canto com uma coreografia. Para além da componente musical e cénica, o espetáculo terá também uma vertente audiovisual através da projeção de ilustrações feitas de propósito para esta encenação por Júlio Vanzeler. A ideia, explica Seara Cardoso, é que a história funcione como um livro e que tenha todos os elementos cénicos presentes. Na história, baseada na fábula de António Pires Cabral com o mesmo nome, um lobo autoproclama-se rei dos animais e diverte-se à custa do mal que provoca nos outros animais. Mas no final, como os homens (e os bichos) não se medem aos palmos, será o pequeno mosquito Valentim a salvar o dia e a devolver a paz à floresta.

Léccio Rocha
in “Público”, 26 maio 2006