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2001
Óscar
1999
IP5
1996
Joanica-Puff
1995

Óscar

1999
© Susana Neves

Óscar is a little boy who owns a garden, his favourite playground.
In the garden he creates imaginary worlds and he communicates with the animals, the plants and Joaquim, the
Gardener.
The show is structured in the four seasons, along which the garden takes on different clothing. The stories,
the music, the colours, the words, the scents, appear as sensations characterising the garden during the different stages of the year.

Credits

staging and scenography: João Paulo Seara Cardoso
marionettes and costumes: Júlio Vanzeler
music: Roberto Neulichedl
text: João Paulo Seara Cardoso, with the collaboration of Sofia Aguiar Reis and Regina Guimarães (songs)
movement: Isabel Barros
lighting design: António Real
production: Mário Moutinho
cast: Micaela Soares, Rui Queiroz de Matos and Vitor Gomes
marionettes: Emília Sousa
lighting and sound operation: David Sobral
production assistant: Paula Anabela Silva
production secretary: Sofia Carvalho
assembly direction: Igor Gandra
construction technicians: Cláudia Armanda, Vítor Silva
costume making: Branca Elíseo
scenography construction: Américo Castanheira
stage photography: Susana Neves
graphic design: Júlio Vanzeler

Gallery

Video

Press

O Óscar tem um jardim

Histórias inimagináveis cheias de magia e poesia.

O Óscar é um menino e tem um jardim. À passagem das quatro estações do ano, este menino, que adora brincar e que tem como amigos não só os humanos, como o jardineiro Joaquim, mas também os animais e as plantas, vai-nos oferecendo o seu mundo. Neste jardim tudo pode acontecer, depende sempre da imaginação desta criança que partilha as histórias com as outras crianças, mas também com os adultos. “Óscar” é uma peça escrita para marionetas, embora tenha já sido representado em forma de teatro infantil. O texto e a encenação são de João Seara Cardoso e o Teatro de Marionetas do Porto apresentou-a, pela primeira vez em 1999, tendo vindo a ser reposta em vários locais. 9 anos depois é apresentada no Centro Cultural de Belém, de 12 a 14 de dezembro.

“O ÓSCAR tem um jardim, e o jardim era assim (…)”, desta forma começa a história do Óscar e do seu jardim, o seu lugar de brincadeira preferido. Ali constrói mundos imaginários, onde se relaciona com animais e plantas, além do seu fiel amigo, o jardineiro Joaquim, que teima em enganar, escondendo-se atrás das árvores.

Eles são apenas três, os manipuladores das marionetas, essas que são senhoras e tomam conta do palco – Edgard Fernandes, Sérgio Rolo e Sara Henriques, mas contam uma história repleta de personagens aliciantes. Para ajudar existe um cenário de onde surge poesia que passa para o espaço. Uma espécie de “mesa-telhado-inclinado” por cujos postigos surgem e desaparecem as histórias. Além de toda a poesia envolvente, desenham-se linhas no texto de uma destreza que permite o desenvolvimento contínuo desta fábula.

Neste jardim é possível ver o Ouriço Ribeiro que anda a colher maçãs para a sua fábrica de compota de maçã, o porco Cambalhota que tanto “cambalhotou” que um dia foi parar à lua, de onde pede ajuda ao Óscar para voltar ao jadim. Além disso ainda há uma vaca radical que bebe as poças do jardim todas até ficar cheia de vontade de ir à casa de banho. Nesta altura já passámos pelas estações todas, porque a última é o inverno e a vaca já anda a beber a água da chuva, mas no entretanto tomamos contacto com uma laranjeira que só dá laranjas amanhã, um capitão Iglo que encalhou numa poça de água do jardim (Porquê? Porque a vaca bebeu as poças todas), as flores que andam sempre a mudar de lugar e a baralhar o pobre Joaquim, o Gigante que tem um outro mundo imaginário onde há um carrossel e tudo gira dentro da sua cabeça. O gigante come o Óscar dentro de uma baguete gigante, prometendo uma viagem que só poderia ser aliciante para uma criança, já que não faltarão doces e outras coisas mais. Mas ele volta ao palco. Há ainda a galinha Chocapic que choca um ovo que não é novo e vai-se a ver e é a bola de futebol do Óscar, e ainda por cima a galinha está a chocar o ovo mesmo em frente à porta de casa da lagarta, que está sempre a perguntar: “Já nasceu?”.

No mínimo este espetáculo tem um texto cheio de coisas engraçadas de tão inacreditáveis, mas que são mágicas por isso mesmo. “E agora já nasceu?”. O espetáculo vai-se desenrolando com estas histórias dentro da história, estruturado pela passagem das quatro estações, possibilitando também a aprendizagem, já que o jardim se vai vestindo de diversas roupagens. As histórias, a música, as cores, as palavras e os cheiros vão tomando a forma das sensações que caracterizam o jardim durante as diferentes fases do ano.

Mas mais do que um espetáculo didático, esta é uma peça que explora sensações e que possibilita uma viagem extraordinária. Esta é uma viagem ao interior de um rapaz porque nos deixa entrar nas suas aventuras, que são criadas a partir de elementos da sua imaginação.

Divertimento puro. A mesma laranjeira de que falávamos há pouco anda a pentear uma laranja. Existem mesmo coisas inacreditáveis: verbos novos como lagartar ou cambalhotar, ideias sem nexo, mas que afinal fazem sentido e rimas sem fartar.

No fim chega o inverno. O Óscar já não pode brincar no jardim, mas continua a interagir com os seus elementos, a partir da janela da sua casa. Quando para de chover, lá vai ele chapinhar nas poças de água. O inverno chega ao fim… e depois? Especialmente concebido para crianças a partir dos três anos de idade, “Óscar” é uma obra capaz de sensibilizar os adultos que acreditam que a vida também passa pela fantasia.

Quem dera às crianças de Lisboa e outras tantas poder brincar como antes, nas poças da chuva e nos jardins, criar estes mundos imaginários com os amigos de fantasia que agora vemos cada vez mais apagados. Quem dera a elas e quem dera a nós. A cidade era tão mais bonita quando as crianças corriam pelo bairro da Graça.

Ana Maria Duarte
In Semanário, 5 de dezembro de 2008

 

No jardim do Óscar

Depois do sucesso de Aprendiz de Feiticeiro, o Teatro de Marionetas do Porto prepara mais uma boa surpresa, para adultos e crianças. Com estreia marcada para dia 11, Óscar sobe ao palco para nos dar a conhecer o seu mundo.

A mais recente produção do Teatro de Belomonte desenvolve-se no jardim do pequeno herói, que inventa o seu mundo imaginário e cria laços de amizade com os animais, plantas e o Jardineiro Joaquim. Porco Cambalhota, Vaca Radical, Capitão Iglo e a Galinha Chocapic são os amigos de Óscar que vamos conhecer de perto. Com um leque tão diverso de companheiros, aventura não vai faltar nesta história. O espetáculo decorre ao longo das quatro estações, durante as quais o jardim se vai vestindo de diversas roupagens. As histórias, a música, as cores, as palavras, os cheiros vão tomando a forma de sensações que caracterizam o espaço verde durante as diferentes fases do ano.

Susana Oliveira
in “Visão”, 9 dezembro 1999

 

Teatro de Marionetas dá vida a Óscar

Óscar retrata a vivência de um rapaz que constrói mundos imaginários a partir do seu jardim, no qual se relaciona com os animais, as plantas e um jardineiro de nome Joaquim.

Acompanhado pelos seus fiéis amigos, o protagonista vai encetar uma série de aventuras que irão conduzi-lo a uma viagem interior sem precedentes.

As quatro estações do ano são o mote de toda a peça.

O jardim – epicentro da ação – veste-se de diversas roupagens que procuram transmitir as sensações que caracterizam o jardim durante as diferentes fases do ano. Mas também as histórias, a música, as cores, as palavras e os próprios cheiros refletem a mudança do calendário.

in “Jornal de Notícias”, 12 dezembro 1999

 

Óscar no inverno

A nova produção do Teatro de Marionetas do Porto é um exemplo acabado do divertimento puro (não andamos longe das Aventuras de Alice no País das Maravilhas). Casas que falam e outras com remela na janela; uma laranjeira a pentear uma laranja; e, para a construção ser perfeita, um herói chamado Óscar, que é ensanduichado e comido por um gigante, dentro de uma baguete descomunal.

Rimas a rodos, verbos inventados como cambalhotar e lagartar, jogos de palavras e todas as associações de ideias sem nexo como, por exemplo, um capitão Iglo a encalhar numa poça, ou um porco na jaula dos leões a chocar um ovo – não se pode contar com ele no cu da galinha – são algumas das invenções saídas, em fartas doses, da fábrica de João Paulo Seara Cardoso, Sofia Aguiar Reis, Regina Guimarães e Cª Limitada. Com esta maquinaria bem oleada, tudo desliza com a destreza habitual, para alegrar o inverno da petizada.

Manuel João Gomes
in “Público”, 17 dezembro 1999

 

Marionetas no jardim encantado

Concebido por uma companhia que nos habituou a excelentes espetáculos de teatro, em que as marionetas são senhoras do palco “Óscar” só poderia ter o caminho de qualidade.

Depois do sucesso que foi “O Aprendiz de Feiticeiro”, a companhia do Teatro de Belomonte conta-nos as brincadeiras de um menino através das diferentes estações do ano.

É no seu jardim que Óscar constrói os seus mundos imaginários, povoados de curiosas personagens.

Aqui, os animais e plantas também falam, como é o caso do porco Cambalhota (“que um dia cambalhotou até à lua”), do ouriço Ribeiro “e a sua fábrica de compota de maçã”; da Vaca Radical, “que bebe água da chuva”; ou do Capitão Iglo, “que um dia encalhou numa poça de água do jardim”. Entre peripécias encontramos ainda as flores “que mudam sempre de lugar” ou o Gigante “que tem um carrocel dentro da cabeça”.

Neste espetáculo, estruturado ao longo das quatro estações, o jardim mágico veste roupagens das diferentes fases do ano, numa encenação que marca o tempo não só pelas palavras e cores, mas também pela música e os cheiros.

Especialmente concebido para crianças a partir dos três anos de idade, “Óscar” é uma obra capaz de sensibilizar os adultos que acreditam que a vida também passa pela fantasia. Se esta poesia não lhe toca, veja o espetáculo pelo seu rigor técnico e excelente interpretação.

A história, depois, há de mostrar-lhe que vale a pena sonhar.

in “Comércio do Porto”, 23 dezembro 1999

 

Espectáculo com “duende”

A companhia de João Paulo Seara Cardoso, Teatro de Marionetas do Porto, acaba de estrear mais um espetáculo de referência para o público a partir dos 3 anos. Com três atores-manipuladores – Rui Oliveira, Sérgio Rolo e a estreante Marta Nunes – e um aparato cénico de onde salta, literalmente, poesia para o espaço, o espetáculo multimédia Óscar – escrito com imaginação por João Paulo Seara Cardoso, Sofia Aguiar Reis e Regina Guimarães (autora dos poemas cantados) e notavelmente desenhado por Seara Cardoso, Júlio Vanzeler (marionetas) e António Real (luz) – oferece, por meio da técnica de manipulação de marionetas de mesa, a história de um menino que, graças à companhia de um Jardineiro Mágico e de uma imaginação delirante, transforma os habitantes do seu jardim em personagens que podiam ter sido retiradas dos livros de Carrol com a ajuda de um humor cujos alvos (“o Centro Comercial da Lúcia”, por exemplo) os residentes do Porto reconhecerão melhor do que nós.

A espantosa estrutura cenográfica – uma espécie de mesa-telhado-inclinado por cujos postigos surgem e desaparecem duendes-narradores, cenários, animais ocupados nas suas tarefas domésticas ou empresariais (como a deliciosa lagarta-dona-de-casa, a tonta da galinha Chocapic, o Porco Cambalhota, a Vaca Radical, o Ouriço Ribeiro, o Capitão Iglo com o barco encalhado na cabeça, os Raios de Sol até o Monte Gigante com a cabeça de gigantone) – segundo as regras básicas do “teatro narrado” ou “épico” (acima de tudo centrado no gesto do manipulador como nem Walter Benjamin imaginou), permite, sobre um eloquente fundo musical (Roberto Neulichedl), o aparecimento e desaparecimento, “à vista”, do cenário de cada sequência das projeções metonímicas de nuvens e espaços siderais e até um carrocel, marcando as passagens do tempo e das estações, onde se alinham todas as figuras em miniatura.

Mas, além da poesia que envolve todo o espetáculo, a observação das linhas com que o texto se urde é um motivo adicional de delícias para o espectador adulto.

Toda a fábula ecológica, que o espetáculo deseja transmitir ao seu pequeno ou grande espectador vem envolta em duas referências literárias fundamentais: a peça Amores de Perlimplim com Belissa em Seu Jardim, de Lorca, e O Principezinho, de Saint-Exupéry.

É certo que as marcas de produtos que os infantes consomem também por lá deixam a sua marca material; contudo, a apologia das flores e das cenouras, que os narradores-manipuladores ostentam como apêndice nasal – “Sou, não sou. Sou, não sou. Plim. Atchim. Pode ser que não, pode ser que sim!” -, vem direta da “aleluia” lorquiana. O espetáculo tem “duende”.

Eugénia Vasquez
in “Expresso”, 14 dezembro 1999

 

O regresso de “Óscar”

Tal como estava previsto, o Teatro de Marionetas do Porto repõe hoje, no Teatro de Belomonte, a peça “Óscar”, especialmente dedicada ao público infantil, mas recomendável a espectadores de todas as idades.

Depois de uma temporada feita de lotações esgotadas, no mês passado, o menino do jardim dos sonhos volta ao palco numa história mágica que atravessa as diferentes estações do ano.

“Óscar” é uma obra capaz de sensibilizar todos os adultos que acreditam que a vida também passa pela fantasia, assinada por uma companhia portuense que marca o seu trabalho por uma extrema qualidade, algo já reconhecida a nível internacional.

in “Comércio do Porto”, 15 janeiro 2000

 

Maravilha esta, reencontar o Teatro de Marionetas do Porto, desta vez com um espetáculo para crianças, o Óscar, de João Paulo Seara Cardoso, colaboração de Sofia Aguiar Reis e Regina Guimarães.

Ao mesmo tempo, extremamente simples e de uma grandeza de imaginação e de humor, de encantamento, o novo espetáculo do Teatro de Marionetas consegue o prodígio de prender os miúdos e de pôr os crescidos a vibrar. O Óscar e os seus animais inventados, as plantas, a passagem do tempo, a amizade com que Óscar conquista os outros, há uma magia neste espetáculo que nos levaria a repeti-lo sem cessar.

Não esqueçamos para entender este êxito a participação dos atores e manipuladores Marta Nunes, Rui Oliveira e Sérgio Rolo.

Carlos Porto
in “Jornal de Letras”, 27 janeiro 2000