Entrevista

por Isabel Fernandes

Texto Integral

A Dança é um modo de expressão por excelência. Os espetáculos criados são representativos dos tempos que se vivem em cada época dessa criação?

A Dança é a arte do movimento. Enquanto arte, devolve o sentir do tempo. A dança contemporânea, ou a dança que hoje está a acontecer, reflete de alguma forma o interior dos artistas, com tudo o que isso contêm: medos, desejos, e também velocidade, rapidez, excessos.

A Dança é capaz de refletir os tipos de regime em que os países vivem?

A Dança pode ser uma representação do Mundo. Desde o início do séc XX que surgiram várias formas de intervenção artística, onde a dança a par de outras artes se coloca como uma arte de ação. Os anos 30 marcam uma importante viragem através da performance, que se torna algo “familiar” para artistas e público. O corpo exalta, e passa a ser um novo centro, um meio, uma marca do efémero, uma marca do tempo. Penso que desde essa época que de alguma forma os artistas seguem essa necessidade de transformar matéria a partir da matéria mundo.


Os novos estilos de dança refletem a necessidade de novas expressões corporais? Linguagens que carecem de ser exploradas?

Há uma dança urbana, rica em novas formas que nasce e cresce em pequenos grupos e se expande. Esta dança, e estas “novas” formas de expressão são também um reflexo de fenómenos sociais. A dança contemporânea tem sabido absorver também essas formas, cruzando linhas e técnicas diferentes para a criação de propostas multidisciplinares e muitas vezes multiculturais.


Estão as danças ditas clássicas a perder poder face aos movimentos mais modernos?

A tradição terá sempre um lugar, ela representa um tempo e é uma referência. Os ballets podem ser fascinantes ainda hoje. E são como os contos de fadas intemporais. A maior dificuldade em se tornarem atraentes a um público menos informado, será talvez pela dificuldade em concorrer com artes mais apelativas ao ritmo de hoje, nomeadamente cinema, vídeo, e artes urbanas em geral.


Que influência exercem os programas de televisão que colocam em competição a dança?

Na minha opinião, servem para divulgar um tipo de dança mais imediato e acessível ao público em geral, e servem como entretenimento.


As danças tradicionais portuguesas estão a ser esquecidas ou a Dança tem que ser uma linguagem mais internacional?

As danças tradicionais portuguesas, tal como as danças tradicionais de cada país fazem parte de um património cultural. Ocupam um lugar, e não creio que estejam esquecidas, vivem e resistem ao tempo, podem eventualmente estar menos presentes no quotidiano, uma vez que houve nos últimos anos uma explosão de diversidade de formas que de algum modo dispersam a atenção.


O Balleteatro assinalará o Dia Mundial da Dança com alguma iniciativa especial?

O balleteatro celebra o Dia Mundial da Dança através de uma programação intensa ao longo de todo o mês de Abril. Durante todo o mês é possível assistir a várias apresentações de diferentes artistas nacionais e estrangeiros, fazer aulas de diferentes técnicas, assistir a Mostra de Videos.

Dados da publicação

Autores
Isabel Fernandes, Isabel Barros
Idioma
português