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Vista do céu a terra é um poema

2016

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Vista do céu a terra é um poema para mim. Vista daqui, a terra é um lugar sensível, desprotegido mas de uma força invulgar. Nela há lugares que sobressaem pelas histórias que sabem contar. Em muitos lugares distantes já encontrei o paraíso, um dia num desses lugares uma mulher negra, muito sábia disse-me que cada um tinha o seu paraíso e que em todos os lugares havia um. Essa imagem prosseguiu-me durante algum tempo.
Hoje percebo bem o que aquela mulher dizia. Hoje olhando do céu vejo poemas, são pequenos paraísos soltos.

Um poema na terra, pode ter muitas formas, tenho encontrado isso mesmo em diferentes momentos num lugar especial, o Porto. A possibilidade de experimentar a cidade em situações muito diversas, permite criar imagens novas que renovam a vivência do lugar.

Hoje a cidade é um poema. É um poema de Amor que se constrói a várias mãos, com a delicadeza do gesto.

Hoje na cidade há coisas que não se podem perder por preciosas que são. Escolho uma, por ser um programa relativamente recente e que ainda pode ser acompanhado até Dezembro. Elejo: Um Objeto e seus discursos por semana, por ser uma forma maravilhosa de descobrir a cidade através de objetos. Tenho acompanhado como público e em Junho também como convidada, e das duas formas encontrei uma razão para eleger este programa, porque nos permite criar uma nova cartografia da cidade através dos objetos e dos lugares. É uma experiência sensível através da qual nos aproximamos da história, da magia, das histórias e saímos sempre mais ricos.

E assim, numa espécie de Zoom até alguns pontos da cidade novos poemas podemos criar.

Aqui fica o convite, o acesso é gratuito.

 

Texto publicado originalmente no site Porto 24, julho 2016

Publication details

Authors
Isabel Barros
Year
2016
Language
português